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Motivação e teatro de vozes
Por José Machado (Professor), em 2012/09/06701 leram | 0 comentários | 191 gostam
Três poemas: um para os alunos do pré-escolar e do primeiro ciclo, outro para os alunos do segundo e terceiro ciclos e outro para os professores e demais comunidade escolar.
Aos alunos do Pré-escolar e do 1º ciclo

Ninguém nasce ensinado,
As coisas não caem do céu;
Se queres ir a algum lado,
Tens de andar, de ganhar o que é teu.

Já lá diz o ditado:
«Quem corre por gosto, não cansa»;
Se tu ficas parado,
Todo o mundo te passa e avança.

Abre lá o teu caderno,
Escreve o que estás a dizer,
Diz o que estás a pensar,
Pensa o que estás a fazer;
Não tenhas medo de errar,
Quem dá erros está a aprender;
Nestas coisas de falar e de ler e de escrever
É preciso praticar.

Apaga tudo
E volta a escrever por cima,
Que aprender, ó meu amigo,
É trabalho de oficina.

Aos alunos do 2º e 3º ciclos

Entra com o pé direito
Quer dizer, com a vontade
De levares tudo a peito,
Com responsabilidade;
Que aprender é um direito
E um dever da liberdade.

Aproveita bem o tempo,
Dá futuro à tua vida,
Que a escola é o fundamento
De caminhos com saída.
Faz tudo com sentimento,
Conta, peso e medida.

Seja a tua educação
Um projecto de rigor,
Misturando com paixão
O trabalho e o bom humor.

Teatro de vozes para abertura do ano escolar 2012/2013

(Ouve-se a melodia de José Afonso «Canção de embalar» em versão instrumental. Pára e ouvem-se as 3 vozes e o coro no fim de cada série. O coro canta a melodia.)

 
Voz 1 (da rua)

Todo o nosso tempo é de crise,
Rápida erosão do que era estável,
Crua exibição do improvável,
Fundo abatimento e deslize.

Voz 2 (da casa)

Mas foi sempre assim, diz a história,
Bem disse Camões que a mudança
Não era valor de temperança,
Era de si mesma transitória.

Voz 3 (da escola)

No meio de nós há uma fragância,
Toda ansiedade, voz primária,
Fonte da ternura visionária,
Posta no vergel jardim-de-infância.

Coro

Levanta a cabeça, professor,
Enche o peito na fúria do tempo,
Que os jovens requerem teu fulgor
E o futuro é o teu alento.

Voz 1

Votos e promessas andam juntos
Quando ao poder se quer chegar;
Mais tarde virá quem vai pagar,
Sapatos de vivos e defuntos.

Voz 2

Ontem, como hoje, já se viu,
Sofre, quem não tem, piores tormentos,
Que em mar de maiores contentamentos,
Nada quem roubou, comprou, fugiu.

Voz 3

No meio de nós há o bulício
De olhos, mãos e mentes inquietas,
Ávidas por novas descobertas,
Por saber das letras o ofício.

Coro

Levanta a cabeça, professor,
Enche o peito na fúria do tempo,
Que os jovens requerem teu fulgor
E o futuro é o teu alento.

Voz 1

Cursos ou estudos apressados
Garantem acesso a mordomias,
Poupam e libertam energias
Pra voos mais altos e ousados.

Voz 2

Bom senso e bom gosto retemperam
Jogos, equilíbrios e partilhas;
Voraz é a fome das matilhas
Que à dextra e sinistra nos governam.

Voz 3

No meio de nós, a adrenalina
Corre pelas turmas, pelos rostos,
Dá-se em euforias e desgostos,
Vive como estrela peregrina.

Coro

Levanta a cabeça, professor,
Enche o peito na fúria do tempo,
Que os jovens requerem teu fulgor
E o futuro é o teu alento.


JOSÉ MACHADO / BRAGA / 2012 / SETEMBRO


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